terça-feira, 23 de agosto de 2011

Poesia Matemática - Millôr Fernandes

Caros amigos, bom dia
Entendendo poesia no seu contexto original, como criação, percebemos que a poesia está em tudo, que a vida é pura poesia e nossa atitudes também. Por mais que usemos a razão, ou a racionalização, podemos ainda criar poesia. Exemplo disso é a poesia a seguir.

Poesia Matemática
Millôr Fernandes


Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.

E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.

Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.

E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.

E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.

E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.

Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos,
viciosos.

Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.

Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.

Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.

Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.

Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer
sociedade.

Texto extraído do livro "Tempo e Contratempo", Edições O Cruzeiro - Rio de Janeiro, 1954, pág. sem número, publicado com o pseudônimo de Vão Gogo.

Tudo sobre Millôr Fernandes e sua obra em "Biografias".
Saudações!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Metodologia - sob a perspectiva do saber sensível



Cada vez mais me certifico de que a grande dificuldade e o grande desafio é esse: uma metodologia que funcione em sala de aula; que una currículo, planejamento e realidade.


Por isso insisto nestas teclas.

Hoje trago esta perspectiva do Saber Sensível. Uma concepção que entende o aprendizado primeiro como o aprendizado através dos sentidos.

Tudo primeiro passa pelos sentidos. Precisamos cheirar, tocar, saborear, ver, sentir, para aprender.

Portanto que tal considerar esta realidade na hora de planejar, de pensar na metodologia a ser aplicada em determinada aula?

Quando utilizamos a música, a poesia, o movimento, o olhar, o som da voz com uma intenção planejada, atingimos de forma mais significativa os nossos alunos, provocando neles, o desejo, o espanto, a curiosidade, a memória.

Já percebemos que a antiga arte de decorar tinha e tem seu valor, mas sabemos do que fica gravado ao longo da nossa vida: é aquilo que toca a nossa retina e os nossos ouvidos, a nossa pele e o nosso paladar de forma decisiva, significativa.

Por isso, aproveitemos as metáforas tão lindas da nossa literatura para ensinar, seja qual for a área do conhecimento. Mas tenhamos cuidado, criticidade, para não enfatizar através destas mesmas metáforas, conceitos e ideologias que reforcem a desigualdade, a violência, a banalização do sexo e das relações de gênero.

Tudo é bem vindo, quando escolhemos os instrumentos de acordo com a faixa etária, o nível de complexidade e as ideologias presentes.

Não esqueçamos de que tudo educa, tudo transforma e tudo concorre com a formação do ser e da sociedade.

Vamos deixar marcas positivas, memórias bonitas e significativas, deixando por onde passarmos o suave perfume da sabedoria, da liberdade, da auto-estima elevada e do respeito entre os seres.



Saudações fraternas!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A sereiazinha - História de Hans Christian Andersen

A Sereiazinha, escrita em 1836 por Hans Christian Andresen, foi a história que inspirou o desenho animado criado pela Disney, A Pequena Sereia. Tanto o texto de origem quanto a sua versão são de uma beleza sem igual. Representam um ideal de amor próprio do século XIX, misturando amor impossível, com amor redenção e amor incondicional.
Pesquisando, encontrei uma breve análise sobre a história original, no site http://apequenasereiabrasil.sites.uol.com.br/contooriginal.htm, do qual destaco e transcrevo os seguintes pontos:
"
  • Ela não tem nome. Referem-se a ela apenas como "sereiazinha".
  • Eram apenas seis irmãs e não sete como no filme.
  • Quando as sereias completavam 15 anos, recebiam uma autorização para visitar a superfície.
  • Era a avó paterna que cuidava das princesas e não o rei.
  • As irmãs encorajam a sereiazinha a ir ver o príncipe.
  • A avó era especialista em coisas humanas e a sereiazinha sempre a consultava.
  • O povo do mar vivia até 300 anos e quando morriam se tornavam espuma do mar.
  • Não possuíam uma alma imortal como os seres humanos. O único jeito de uma sereia conseguir uma era se apaixonarem por um humano e fazê-lo se apaixonar por ela.
  • Ela vai procurar a bruxa do mar por livre e espontânea vontade.
  • A bruxa diz que a sereia é tola em querer ser humana que que irá sofrer muito quando se tornar uma.
  • A bruxa corta a língua da sereia para impedi-la de falar e diz que seduzirá o príncipe com seu "belo corpo e lindos olhos".
  • A família da sereiazinha vai visitá-la à noite no lago do palácio.
  • O príncipe realmente se apaixona por sua noiva humana e não é hipnotizado como no filme."
     Para recordar o filme, vejamos esta cena lindíssima. Caros amigos, aqui convém os superlativos, pois é o amor que transborda, como a imensidão do mar.


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Hans Christian Andersen (02/04/1805, Odense, Dinamarca - 04/08/1875, Copenhague, Dinamarca)


Hoje é dia de lembrar das histórias imortais de Christian Andersen.
São Tantas... O Patinho Feio, A Pequena Sereia, O Soldadinho de Chumbo...
Então, neste mês vamos homenageá-lo postando em nossos blogs comentários sobre as histórias que marcaram a nossa infância e a nossa trajetória educativa.
Para saber sobre a sua vida e obra, clik aqui.
......
Vamos começar!

Eu gosto muito do Patinho Feio, porque me lembra o quanto eu na infância me sentia assim: um patinho feio, muito magra, nariz comprido e cabelos crespos. Isso na sala de aula era motivo de feiura. Mas quando a professora ou meus pais contavam a história para mim e diziam o quanto somos cisnes, eu me sentia mais aliviada. E não é que eles tinham razão....rsrssrs. Olha só em que belo cisne me transformei!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Dialética em sala de aula

Amigos, andei pensando em como as palavras do universo acadêmico, especialmente as voltadas para a educação, às vezes parecem não fazer sentido na prática. Ouvindo de muitos estudantes universitários e recém-formados a dificuldade quem têm em adequar o conhecimento adquirido à elaboração do planejamento e das aulas e estes à prática em si; resolvi compartilhar com vocês um pouco do meu aprendizado a respeito de alguns vocábulos, seus sentidos e intensões, e como procurei vivenciá-los, sem nenhuma pretenção de torná-lo um tratado científico, ou um dicionário, apenas reflexões.
Vamos começar por Dialética.

Dialética, segundo Leandro Konder, no sentido moderno, "é o modo de pensarmos as contradições da realidade, o modo de compreendermos a realidade como essencialmente contraditória e em permanente transformação".
Dialética é movimento, o ir e vir constante de ideias que ora se reafirmam ora se contradizem. É o diálogo permanente, contando com o imprevisível, o diferente. A dialética é como as ondas do mar: uma após a outra, constantes, mas sempre diferentes.

Na sala de aula, a dialética ocorre ainda que o professor se posicione como um ser tradicionalista, reprodutivista, pois ela está no pensamento de cada aluno, na forma como cada um lê o mundo, percebe-o e compartilha-o. No entanto, quando o professor considera a dialética, sua aula cresce, se expande, pois o diálogo se faz presente, trazendo a possibilidade de novas ideias, levantamento de hipóteses que podem ser comprovadas ou refeitas, tudo num espírito investigativo livre.
Para que as aulas sejam dialéticas, é preciso considerar,caros colegas, a liberdade. É preciso construir uma relação saudável, coerente, observando todos os conflitos e limites, sem se esquivar deles, procurando subsídios no prórpio diálogo para resolvê-los. Uma aula dialética leva em conta a vida de cada um, com todas as suas diferenças e riquezas existenciais. Considera a cultura, o símbolo, o psiquismo, a emoção, os sentidos e o corpo, pois comprende que cada aluno é único e diverso. Dessa forma, a dialética caminha de mãos dadas com a ideia de um ser humano integral.
Vejamos a seguir, o poema O Mar de Manoel Xundu:

O mar se orgulha por ser vigoroso
Forte e gigantesco que nada lhe imita
Se ergue, se abaixa, se move se agita
Parece um dragão feroz e raivoso
É verde, azulado, sereno, espumoso
Se espalha na terra, quer subir pra o ar
Se sacode todo querendo voar
Retumba, ribomba, peneira e balança
Não sangra, não seca, não para e nem cansa
São esses os fenômenos da beira do mar.


O próprio coqueiro se sente orgulhoso
Porque nasce e cresce na beira da praia
No tronco a areia da cor de cambraia
Seu caule enrugado, nervudo e fibroso
Se o vento não sopra é silencioso
Nem sequer a fronde se ver balançar
Porém se o vento com força soprar
A fronde estremece perde toda calma
As folhas se agitam, tremem e batem palma
Pedindo silêncio na beira do mar

Não há tempestades e nem furacões
Chuvadas de pedras num bosque esquisito
Quedas coriscos ou aerólito
Tiros de granadas de obuses canhões
Juntando os ribombos de muitos trovões
Que tem pipocado na massa do ar
Cascata rugindo serra a desabar
Nuvens mareantes, tremores de terra
Estrondo de bombas, rumores de guerra
Que imite a zoada das águas do mar.

Como percebem, a dialética é a própria vida, é o movimento contínuo e permanete, que metarmorfosea os seres. Seja nas águas calmas e serenas, seja nas ondas cantantes, seja nas palmeiras agitadas ao vento, ou nas serras, nas planícies, tudo é dialética. Então, porque tolher esta força de vida nas salas de aula, porque fugir desta condição natural que se espraia por nossas almas, graças à condição livre de sermos humanos e de estarmos vivos?
Observem as leis da dialética marxista:
1. ação recíproca, unidade polar ou "tudo se relaciona";
2. mudança dialética, negação da negação ou "tudo se transforma";
3. passagem da quantidade à qualidade ou mudança qualitativa;
4. interpenetração dos contrários, contradição ou luta dos contrários.

Se observarmos estas leis, sem querer fazer ode ao marxismo, aqui não é o caso, teremos uma receita essencial para desenvolver as nossas aulas:
Perceber que tudo no universo se relaciona, e nós somo resultado histórico dos nossos antepassados; que somos causas das consequencias futuras.
Ainda neste princípio primeiro, devemos perceber um ao outro considerando todas as diferenças, todas as potencialidades e todos os níveis do ser humano.
Quanto ao segundo princípio, é evidente que tudo se transforma.Nos inspiremos na Lei da Conservação das massas de Lavoisier "Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma". Vamos expandir isso para como as coisas se modificam ainda que não se deseje. A mudança ocorre, à revelia da vontade de alguns e graças à vontade de outros. Podemos ser agentes transformadores, quando consideramos a dialética, para provocar em nossos alunos o conhecimento de si mesmo e do outro, ou nos comportarmos como encalço do universo, tentendo interromper o seu giro, o seja, as mudanças.
Muito se tentou melhorar o desenvolvimento do país, atuando na educação. De início, foi feita uma mudança quantitativa, multiplicando as salas de aula, o número de vagas, a quantidade de conteúdos, etc. No entanto, na década 80, mais precisamente, foi-se percebendo que a mudança quantitativa não garantia o desenvolvimento; era preciso uma mudança qualitativa. Isso é dialética!
Dai, foram desenvolvidos diversos projetos, como Ciranda de Livros, Salas de Leitura, entre tantos outros.
Mas a mudança, pra ser qualitativa, deve ocorrer antes e constantemente no interior de cada um, através do diálogo constante, do autoconhecimento.
Já o último princípio nos chama atenção para as contradições. Observe que o ser humano é contraditorio, pois está sempre a refazer-se. Contudo há contradições que ocorrem pela falta de autoconhecimento. Um exemplo disso é quando alguém pensa de uma forma e age de outra completamente diferente. Bem, ela não agiu, apenas reagiu, por conta de situações do momento ou pretéritas marcadas nos seus sentidos. É preciso compreender esta luta entre os contrários para, cultivando o respeito às diferenças, amenizar os paradoxos sociais, como as guerras santas, ou qualquer outro tipo de guerra, as desiguldades gritantes,que mutilam, desabrigam, excluem e matam.
Amigos, uma aula dialética compreende o ser humano, exercitando os sentidos, a mente, o corpo e os sentimentos, num momvimento curioso, amoroso e solidário.
Vamos assumir a dialética em nós.
Para finalizar esta nossa conversa, vejamos este lindo poema do Mestre Neruda, com toda a sua dialética.
Se cada dia cai

Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.

há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.

Dia dos Pais - Sugestão de músicas para o dia dos pais

Vejam as sugestões de músicas a seguir para download:

Brinca comigo pai - Cavaleiros do Forró
Couro de Boi - João Paulo e Daniel
Papai Vadiou - Leci Brandão
Naquela Mesa
Loadeando - Marcelo D2
Pais e Filhos - Legião Urbana
Eu e Meu Pai - Zezé de Camargo e Luciano
Como nossos pais - Elis Regina
Pai Herói - Fábio Júnior
Coisinha do Pai - Beth Carvalho
Tempo Rei - Gilberto Gil
Falar dos Meus Pais - Roupa Nova
Meu querido, meu velho, meu amigo - Roberto Carlos

Estas músicas podem ser gravadas num cd e distribuídas para os pais, como lembrança da escola.

Saudações Fraternas!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Selinho - Presente

Acabei de receber este selinho de presente da amiga Professora Cida. Agradeço imensamente o mimo e repasso para meus companheiros de jornada.

Regrinhas:
1 - Exibir a imagem do selinho em seu blog;
2 - Postar o link do blog que o indicou
3 - Publicar as regras;
4 - Indicar 10 blogs para receberem;
5 - Avisar aos indicados.
eu ofereço este selinho aos seguintes blogs:

http://jacirinha.blogspot.com
http://aprendente.blogspot.com
http://pedagogiadoafeto.blogspot.com
http://profcidadialogoeducacao.blogspot.com/
http://novapedagogia.zip.net
http://nteitaperuna.blogspot.com
http://tatianemomartins.blogspot.com/
http://santaclaus-papainoel.blogspot.com/
http://blogdolucasmatheus.blogspot.com/
http://educacaolivreparapensar.blogspot.com/

A todos, a minha gratidão pelo carinho e por tanto aprendizado!

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