"Sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino". (Paulo Freire)
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Planejamento: perda de tempo ou um exercício amoroso?
sábado, 25 de agosto de 2007
A Verdadeira Liderança na Educação
Assumir as rédeas do próprio destino, organizando metas e ações com afinco, determinação e uma grande dose de generosidade fazem a grande diferença entre o professor e o educador de sucesso.
O desejo por comandar e determinar os caminhos a serem trilhados pelo outro é tão remoto quanto a própria história da humanidade. Algumas pessoas são educadas de maneira que a submissão, a insegurança e o medo se fazem mais presentes. Outras, mesmo tendo uma educação castradora ou não, mantêm a sua aptidão para a liderança. Entre elas encontram-se os que têm capacidade para administração, gestão, política, sacerdócio (líderes religiosos) e educação.
Como transformar essa potencialidade em competência? Como agir no momento e espaço exatos, garantindo resultados satisfatórios? Como atingir o estágio de profissionalização desejada, equilibrando a ânsia pelo poder com a hierarquia à qual estamos todos submetidos, nos grupos sociais?
Não há receitas do tipo "10 lições para atingir o sucesso" que respondam estas questões de tal forma a mudar os rumos de qualquer educador, mas compartilho com vocês algumas das lições que aprendi e aprendo, as quais foram preponderantes para a minha formação pessoal e profissional.
Não seguirei a linearidade do tempo, pois as transformações não ocorrem como um relógio e um calendário, mas numa mistura entre passado e presente, determinando os passos futuros.
Foi nas minhas andanças educativas, realizando estudos de casos ocorridos nas salas de aula de diversas escolas de Salvador e do interior baiano, convivendo com as mais distintas situações, dialogando com professores, alunos, professores-alunos, na realização de projetos de Alfabetização, Suplência, Pré-Universitários e Formação Continuada, que aprendi uma das mais valiosas lições:
_É preciso conhecer a si mesmo de tal maneira que as ansiedades, o orgulho e a vaidade sejam trabalhados, abrindo espaço para sentimentos e atitudes que bem desenvolvidos culminem no sucesso.
É preciso que tenhamos humildade, generosidade, curiosidade investigativa, honestidade e amorosidade para sermos verdadeiros líderes nesta empreitada educativa.
Humildade para aceitar as próprias limitações e cegueiras mediante si mesmo e o outro; para pedir perdão, se perdoar, e perdoar o outro infinitas vezes, sem se preocupar com medidas e quantidades. Ter consciência das limitações do próprio conhecimento e da ciência mediante a vida e o processo de aceleração contínua da atividade humana.
Generosidade para trocar informações e saberes, reconhecendo os valores do outro; compreender que cada comunidade tem a sua cultura e os seus costumes, necessários à sua existência e que ao ensinar, devemos estar prontos para aprender, através de uma audição que permita-nos compreender a beleza existente em cada estratégia pessoal, grupal ou acadêmica para resolver os problemas e desafios diante a realidade; generosidade para reconhecer o valor existente nas grandes coisas que quase passam por despercebidas, como o amanhecer, o entardecer, uma cantiga de ninar, uma valsa, o silêncio, a maravilha de todos os sentidos que nos possibilitam perceber e tocar no mundo, deixando-o nos tocar.
Curiosidade investigativa. O educador deve buscar o conhecimento científico e o conhecimento da realidade para alicerçar o seu trabalho. Para tanto é preciso manter a nossa liberdade que se caracteriza também no exercício da curiosidade. Querer investigar os mecanismos de aprendizagem, a história pessoal, familiar, cultural e sócio-política de cada grupo, de cada aluno é essencial. Não basta, contudo, investigar; é preciso ter um espírito relativizador, demasiadamente humano. Daí a necessidade de não nos limitarmos a determinadas áreas do conhecimento. Para educar com conhecimento de causa e profissionalismo, é preciso estudar antropologia, psicologia, política e neurologia, por exemplo. Saber de que maneira a memória funciona, como sentidos e saberes se relacionam, como as comunidades se organizam e se estruturam e manter a liberdade, inerente a todo o ser humano, desalinando-se e conscientizando o outro do seu papel no processo de conquista de si mesmo, do outro e da construção de uma nova realidade.
Distinguir conceitos como liberdade, hierarquia e responsabilidade é essencial ao estabelecimento de uma ordem necessária. Não falo da ordem arbitrária, que manipula, nem tão pouco da hierarquia ditadora e meritocrática, mas de uma compreensão das regras, dos papéis de cada um e do respeito que se deve estabelecer na relação eu-outro, a ponto de permitir a troca generosa de informações e saberes concorrendo com o crescimento mútuo.
É preciso que o educador tenha honestidade consigo mesmo, no processo constante de auto-conhecimento, assumindo as escolhas e as consequências, sem nutrir sentimentos de culpa ou vingança. Honestidade para reconhecer os próprios erros e os erros alheios como parte do processo de crescimento, como mecanismo de aprendizagem e sucesso e não como sinais de fracasso.
É preciso praticar o exercício da amorosidade constantemente, imprimindo amor em tudo que nós, educadores, olharmos e tocarmos. É o amor que possibilita a conquista desses itens anteriores e de outros que vocês já identificaram e aqui não se encontram. É o amor, capaz de superar a vaidade, o orgulho, a intolerância e as animosidades geradas pelo preconceito e pelo desejo de assumir o poder a qualquer preço. O amor bem compreendido nos faz superar a própria inércia e avançar em busca do estudo, da pesquisa e do compartilhar. Amor não significa, na minha visão limitada, ingenuidade e aceitação submissa de tudo, mas reconhecer a intenção que existe em tudo, inclusive na educação, a ponto de promover uma revolução pacífica, liderando com sabedoria, humildade e generosidade os grupos sociais e a escola na construção de um presente mais feliz.
Ficamos por aqui. Sinta-se à vontade para deixar seu comentário.
Um abraço. Até a próxima!