domingo, 19 de outubro de 2008

Projeto: Proclamação da República

Caros Amigos, a Proclamação da República é uma destas datas cívicas que não podem deixar de ser trabalhadas. Estamos inseridos no regime republicano e ainda nos perguntamos: O que é República? Responder a esta pergunta vai além de definições de dicionário; significa compreender os ideais republicanos que foram se modificando ao longo da história, os interesses individuais e coletivos dos protagonistas da luta pela República e a infra-estrutura dos países republicanos na atualidade.

Em sala de aula, não deixem para falar do 15 de novembro nas vésperas, mas comecem agora, traçando um plano de estudo e de ação em conjunto com os alunos. Assim sendo, sugiro que na elaboração do projeto sejam considerados os seguintes momentos:

1º momento: Diálogo com a turma sobre a data: Os alunos deverão colocar em uma caixinha, perguntas sobre o tema. Logo depois todos irão ler e fazer uma lista de perguntas para em seguida, realizar uma pesquisa. São divididas as perguntas em dupla, grupos ou individualmente, para que os alunos em um prazo determinado tragam as perguntas respondidas.

2º momento: Com as respostas em mãos, é feita uma roda dialógica, onde as perguntas serão feitas oralmente e os próprios colegas tentarão responder, como maneira de provocar uma conversa reflexiva sobre o assunto. É importante que o professor oriente os alunos o tempo todo, assegurando a disciplina, o respeito e a dinâmica da atividade. Encontradas as respostas, será feito um painel com o tema: Tudo o que você quer saber sobre a República.

3º momento: Os alunos avaliam o painel e dizem o que aprenderam e o que ainda querem saber. Depois o professor distribui uma apostila com exercício, sistematizando o assunto trabalhado.

Importante: Entre um momento e outro, diversas atividades podem ser inseridas, como: estudo de casos, leitura coletiva e individual de artigos de revistas, jornais, leitura do manifesto republicano (veja trechos a seguir), pesquisa na internet, painel com fotos, pesquisa e reflexão sobre o hino da República, etc.

4º momento: Análise da República Brasileira hoje: Levantamento de problemas, vantagens e desvantagens, e sugestão de soluções. Para esta atividade, é importante que se faça todos os passos anteriores, assim os alunos terão subsídios para avaliar os fatos de maneira reflexiva e dialética e emitir sugestões com mais segurança.

5º momento: Apresentação do Projeto: Uma apresentação que se transforme num grande evento, com música, ludicidade, teatralidade, decoração de ambiente, exposição de fotos e vídeos. Assim, os alunos irão aprendendo de maneira participativa e prazerosa, se sentido co-criadores da organização sociopolítica do país.

Para auxiliar neste trabalho, sugiro que dê uma olhada no texto a seguir, retirado do site http://www.webhistoria.com.br/arqdirfont3.html:

 Documentos Históricos,

  Direto da Fonte

        Guerra fiscal, subsídios ao estabelecimento de empresas nos Estados, incentivos para o desenvolvimento de diferentes regiões. Estes são alguns dos temas que pautam as discussões sobre as regras e as fronteiras de interação entre os Estados da União, e os limites de intermediação do Governo Federal. É difícil imaginar que algum dia haverá consenso sobre estas questões, e não há dúvida que as posições e demandas se modificam de acordo com o contexto econômico e político, na esfera nacional e mundial. 
      Considerado isto, é interessante recordar que houve um momento, há quase 130 anos, em que o desejo de tornar-se uma República Federativa mobilizou as lideranças intelectuais e políticas do Império. A leitura de trechos do 
Manifesto Republicano, publicado no dia 3 de dezembro de 1870 no jornal A República, no Rio de Janeiro, inspira novas reflexões sobre as idéias fundadoras deste regime sob o qual vivemos neste momento.  

No Brasil, antes ainda da idéia democrática, encarregou-se a natureza de estabelecer o princípio federativo. A topografia do nosso território, as zonas diversas em que ele se divide, os climas vários e as produções diferentes, as cordilheiras e as águas estavam indicando a necessidade de modelar a administração e o governo local acompanhando e respeitando as próprias divisões criadas pela natureza física e impostas pela imensa superfície do nosso território. 
        Foi a necessidade que demonstrou, desde a origem, a eficácia do grande princípio que embalde a força compressora do regime centralizador tem procurado contrafazer e destruir. 
 

 
 

        Enquanto colônia, nenhum receio salteava o ânimo da monarquia portuguesa por assim repartir o poder que delegava aos vassalos diletos ou preferidos. Longe disso, era esse o meio de manter, com a metrópole, a unidade severa do mando absoluto. 
        As rivalidades e os conflitos que rebentavam entre os diferentes delegados do poder central, enfraquecendo-os e impedindo a solidariedade moral às idéias e a solidariedade administrativa quanto aos interesses e às forças disseminadas, eram outras tantas garantias de permanência e solidez para o princípio centralizador e despótico. A eficácia do método havia já sido comprovada, por ocasião do movimento revolucionário de 1789 denominado a Inconfidência. 
 

    A Independência proclamada oficialmente em 1822 achou e respeitou a forma da divisão colonial. 
    A idéia democrática representada pela primeira Constituinte brasileira tentou, é certo, dar ao princípio federativo todo o desenvolvimento que ele comportava e de que carecia o país para poder marchar e progredir. Mas a dissolução da Assembléia Nacional, sufocando as aspirações democráticas, cerceou o princípio, desnaturou-o, e a carta outorgada em 1824, mantendo o status quo da divisão territorial, ampliou a esfera da centralização pela dependência em que colocou as províncias e seus administradores do poder intruso e absorvente, chave do sistema, que abafou todos os respiradouros da liberdade, enfeudando as províncias à corte, à sede do único poder soberano que sobreviveu à ruína da democracia. 
    [...] 
    O Ato Adicional interpretado, a lei de 3 de dezembro, o Conselho de Estado, criando, com o regime da tutela severa, a instância superior e os instrumentos independentes que tendem a cercear ou anular as deliberações dos parlamentos provinciais, apesar de truncados; a dependência administrativa em que foram colocadas as províncias, até para os atos mais triviais; o abuso do efetivo seqüestro dos saldos dos orçamentos provinciais para as despesas e para as obras peculiares do município neutro; a restrição imposta ao desenvolvimento dos legítimos interesses das províncias pela uniformidade obrigada, que forma o tipo da nossa absurda administração centralizadora, tudo está demonstrando que posição precária ocupa o interesse propriamente nacional confrontado com o interesse monárquico que é, de si mesmo, a origem e a força da centralização. 
 

 
 

    Tais condições, como a história o demonstra e o exemplo dos nossos dias está patenteando, são as mais próprias para, com a enervação interior, expor a pátria às eventualidades e aos perigos da usurpação e da conquista. 
    O nosso estado é, em miniatura, o estado da França de Napoleão III. O desmantelamento daquele país que o mundo está presenciando com assombro não tem outra causa explicativa. 
    E a própria guerra exterior que tivemos de manter por espaço de seis anos, deixou ver, com a ocupação de Mato Grosso e a invasão do Rio Grande do Sul, quanto é importante e desastroso o regime da centralização para salvaguardar a honra e a integridade nacional. 
 

    A autonomia das províncias é, pois, para nós, mais do que um interesse imposto pela solidariedade dos direitos e das relações provinciais, é um princípio cardeal e solene que inscrevemos na nossa bandeira. 
    O regime da federação, baseado, portanto, na independência recíproca das províncias, elevando-as à categoria de Estados próprios, unicamente ligados pelo vínculo da mesma nacionalidade e da solidariedade dos grandes interesses de representação e da defesa exterior, é aquele que adotamos no nosso programa, como sendo o único capaz de manter a comunhão da família brasileira. 
    Se carecêssemos de uma fórmula para assinalar, perante a consciência nacional, os efeitos de um e outro regime, nós a resumiríamos assim: Centralização — Desmembramento. Descentralização — Unidade. 
 

 
 

    Em conclusão: 
    Expostos os princípios gerais que servem de base à democracia moderna, única que consulta e respeita o direito à opinião dos povos, temos tornado conhecido o nosso pensamento. 
    Como o nosso intuito deve ser satisfeito pela condição da preliminar estabelecida na própria carta outorgada; a convocação de uma Assembléia Constituinte com amplas faculdades para instaurar um novo regime é necessidade cardeal. 
    As reformas a que aspiramos são complexas e abrangem todo o nosso mecanismo social. 
    Negá-las absolutamente, fora uma obra ímpia, porque se provocaria a resistência. 
    Aprazá-las indefinidamente, fora um artifício grosseiro e perigoso. 
    Fortalecidos, pois, pelo nosso direito e pela nossa consciência, apresentamo-nos perante os nossos concidadãos, arvorando resolutamente a bandeira do partido republicano federativo. 
 

    Somos da América e queremos ser americanos. 
    A nossa forma de governo é, em sua essência e em sua prática, antinômica e hostil ao direito e aos interesses dos Estados americanos. 
    A permanência dessa forma tem de ser forçosamente, além da origem de opressão no interior, a fonte perpétua da hostilidade e das guerras com os povos que nos rodeiam. 
    Perante a Europa passamos por ser uma democracia monárquica que não inspira simpatia nem provoca adesão. Perante a América passamos por ser uma democracia monarquizada, aonde o instinto e a força do povo não podem preponderar ante o arbítrio e a onipotência do soberano. 
    Em tais condições pode o Brasil considerar-se um país isolado, não só no seio da América, mas no seio do mundo. 
    O nosso esforço dirige-se a suprimir este estado de coisas, pondo-nos em contato fraternal com todos os povos, e em solidariedade democrática com o continente de que fazemos parte. 
 

 

Dr. Joaquim Saldanha Marinho (advogado, ex-presidente de Minas e São Paulo, ex-deputado por Pernambuco). 
Dr. Aristides da Silveira Lobo (advogado, ex-deputado por Alagoas). 
Christiano Benedicto Ottoni (engenheiro, ex-deputado por Minas). 
Dr. Flavio Farnese (advogado e jornalista). 
Dr. Pedro Antonio Ferreira Viana (advogado e jornalista). 
   Dr. Lafayete Rodrigues Pereira (advogado, ex-presidente do Ceará e Maranhão). 
Dr. Bernardino Pamplona (fazendeiro). 
João de Almeida (jornalista). (médico) 
Dr. Pedro Bandeira de Gouveia 
Dr. Francisco Rangel Pestana (advogado e jornalista). 
Dr. Henrique Limpo de Abreu (advogado, ex-deputado por Minas) . 
Dr. Augusto Cesar de Miranda Azevedo (médico) 
Elias Antonio Freire (negociante) . 
Joaquim Garcia Pires de Almeida (jornalista). 
Quintino Bocaiúva (jornalista) . 
Dr. Joaquim Maurício de Abreu (médico). 
Dr. Miguel Vieira Ferreira (engenheiro) . 
Dr. Pedro Rodrigues Soares de Meirelles (advogado) 
Galdino Emiliano das Neves. 
Dr. Julio Cesar de Freitas Coutinho (advogado) 
Alfredo Moreira Pinto (professor) . 
Carlos Americano Freire (engenheiro). 
Jeronimo Simões (negociante). 
José Teixeira Leitão (professor). 
João Vicente de Brito Galvão. 
Dr. José Maria de Albuquerque Mello (advogado, ex-deputado pelo Rio Grande do Norte). 
Gabriel José de Freitas (negociante). 
Joaquim Heliodoro Gomes (empregado público). 
Francisco Antonio Castorino de Faria (empregado público). 
José Caetano de Moraes e Castro. 
Octaviano Hudson (jornalista). 
Dr. Luiz de Souza Araujo (médico). 
Dr. João Baptista Lupez (médico). 
Dr. Antonio da Silva Netto (engenheiro). 
Dr. Antonio José de Oliveira Filho (advogado). 
Dr. Francisco Peregrino Viriato de Medeiros (médico). 
Dr. Antonio de Souza Campos (médico). 
Dr. Manoel Marques da Silva Acauan (médico). 
Maximo Antonio da Silva. 
Dr. Francisco Leite de Bittencourt Sampaio (advogado, ex-deputado por Sergipe). 
Dr. Salvador de Mendonça (jornalista). 
Eduardo Baptista R. Franco. 
Dr. Manoel Benicio Fontenelli (advogado, ex-deputado pelo Maranhão). 
Dr. Felix José da Costa e Souza (advogado). 
Paulo Emilio dos Santos Lobo. 
Dr. José Lopes da Silva Trovão (médico). 
Dr. Antonio Paulino Limpo de Abreu (engenheiro) 
Macedo Sodré (negociante). 
Alfredo Gomes Braga (empregado público).  Francisco C. de Bricio. 
Manoel Marques de Freitas. 
Thome Ignacio Botelho (capitalista). 
Eduardo Carneiro de Mendonça. 

 [Extraído de  "O Primeiro Centenário do Manifesto Republicano de 1870", separata da Revista de História n.84,1970, apud  Reinaldo Carneiro Pessoa (org.), A Idéia Republicana no Brasil Através de Documentos, São Paulo, Ed. Alfa-Omega, 1976, pp.39-62] 

Caros colegas, lembrem-se: Tão importante quanto o recurso é o que se faz com ele.

Bom trabalho! Sucesso!


 

3 comentários:

Lilian disse...

Olá Naurelita,
legal a tua proposta de estimular o trabalho com a Proclamação da República com um prazo mais extenso, assim fica possível aprender algo sobre o tema. Gostei de ver o link para o Manifesto, coloquei no webhistoria exatamente por achar que é um documento relevante. Aliás, acabei de usar novamente com os meus alunos do Ensino Médio, como vc pode ver nesse post do blog do meu curso.
http://sobrehistoria.wordpress.com/2008/09/11/uma-estrategia-de-leitura-de-documentos/
tudo de bom!
Lilian

Centro Educacional Pitagoras disse...

Gostei bastante deste post....
faça-nos uma visitinha e deixe dicas de como melhorar nosso blog que esta começando agora, e siga-nos...

bom dia!!!

Creche Escola Municipal Vovô Nizio disse...

Olá Lita, estive visitando seu site e para minha surpresa, comungamos do mesmo desejo:
Uma educação com funcionalidade para a vida das nossas crianças (educação infantil)
Beleza fico no aguardo de uma sugestão de plano de aula para educação infantil.
Que Deus te Abençoe e te guarde.
Helineuza Barbosa.

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