sábado, 26 de abril de 2008

CURRÍCULO: DESAFIOS E MUDANÇAS

O currículo escolar vem sendo construído ao longo da história da educação como um espaço de normatização dos conteúdos, das finalidades e das metas pertinentes à manutenção dos interesses da classe dominante. Assim, a ideologia, as relações de poder, a construção da identidade social e da cultura nele se fazem presentes.
Sendo a educação institucionalizada um dos aparelhos ideológicos e a escola, local de transmissão da política cultural e criação da cultura, o currículo tanto quanto o ensino, embora seja imposto como verdade maior, é também um espaço de contestação, transgressão e mudança. Este paradoxo de manutenção e transformação das estruturas sociais evidencia a necessidade de se dar ao currículo um tratamento especial. As bases sócio-políticas que determinam a construção do currículo formal e real repercutem na prática educativa, na visão de ensino e na formação dos indivíduos. Contudo, o passado e o presente familiar, as crenças e os saberes individuais, as relações comunitárias são fatores que determinam a construção de um currículo oculto, aquele que acontece à revelia dos projetos e planos de ensino previstos.
O currículo se forma e se constrói nessa ciranda de acontecimentos histórico-sociais, sob a influência de diversas tendências pedagógicas, como a tradicional, a humanista e a progressista.
A escola tradicional, de origem burguesa, sob as influências religiosas, racionalistas e positivistas, tem como bases curriculares o domínio da lecto-escrita e do cálculo elementar. Teve o século XVIII como cenário inicial, defendendo um ensino seletivo, de uma escola para poucos privilegiados. Só a partir do século XIX a universalização da escola passa a ser bandeira levantada, conduzindo à ampliação do ensino para as populações urbanas e rurais. Deste contexto emergem as discussões sobre a escola única para todos e sobre a diferenciação curricular para populações distintas.
Com a 1ª Grande Guerra a educação passa a ser considerada como um instrumento essencial na reconstrução sócio-política e moral do país, propiciando um bem-estar coletivo, diga-se de passagem, da coletividade burguesa. A partir daí a escola passa a ser o local que assegura as relações inter-sociais. Essa concepção de ensino defende o desenvolvimento de habilidades e o pragmatismo. Assim sendo, vivenciar a relação grupal na assunção de responsabilidades e no desenvolvimento de habilidades que instrumentalizam os indivíduos para a resolução de problemas.
Na década de trinta, a abordagem escolanovista rezava a necessidade de se conceber uma Escola Pública, gratuita e de boa qualidade, além das reformas educacionais. A Escola Nova traz uma concepção curricular que por sua vez foi gerada no pensar sobre o enfrentamento dos problemas que afetavam a conjuntura brasileira, dentre os quais o analfabetismo e a exclusão social. Assim o currículo é definido como um conjunto de atividades a serem desenvolvidas, para a justiça e a igualdade social. Este currículo, considerado utópico por muitos pensadores deterministas e reacionários, estimula a luta de muitos educadores. Ainda hoje representa um desafio, uma vez que vem na contra-mão dos interesses da classe dominante. Embora existam correntes de pensamentos diversas sobre o currículo e a práxis pedagógica, na realidade, estes continuam atendendo às ideologias do Estado.
A frase de Roldão (2005) “Os tempos mudam, mas os currículos das escolas permanecem seguindo os mesmos moldes que tinham no século XIX”, revela o quão é lenta a mudança. A educação institucionalizada embora esteja atrelada à conjuntura social e cultural do momento presente, é determinada por uma mentalidade construída historicamente, defensora da distribuição desigual de direitos, da manutenção de privilégios, da hierarquização e da imobilidade de classes. Assim, o ideal de democracia ainda convive com posturas e atitudes autocráticas. A garantia de uma escola pública para todos esbarra na sua baixa qualidade de ensino, conduzindo os indivíduos de baixa renda à escola gratuita e às escolas particulares, voltadas para alunos pertencentes às classes privilegiadas, um ensino de qualidade bem superior.
A pesar de o currículo atual trazer abordagens inovadoras, de valorização e percepção do sujeito diante do mundo circundante – como está previsto nos Parâmetros Curriculares Nacionais – inspirados na pedagogia de projetos e de resolução de problemas, o modelo de organização econômica ainda é o capitalismo, sistema que privilegia o lucro, o individualismo, a competição, a educação repressora, o tecnicismo e a transformação das pessoas em máquinas. Este ainda confronta com a luta das comunidades desfavorecidas sócio-economicamente por uma vida mais digna.
É da luta, do confronto com a política massificadora que se torna possível a mudança. A história do Brasil está repleta de fatos que comprovam essa tese. A marcha dos sem-terra, a luta pela emancipação feminina, as greves e paralisações, as denúncias de corrupção são exemplos desta luta.
Mas há uma luta lenta, profunda e eficaz que ocorre nas salas de aula, nas escolas populares e nos ambientes diversos de provocação do processo ensino-aprendizagem; um currículo oculto e muitas vezes real, que promove a mudança dos pensamentos e do fazer humano; uma luta quer perpassa a conscientização do indivíduo, que ainda é o melhor caminho para a transformação social. Esta conscientização acontece na busca dos agentes da educação pelo conhecimento libertador, pela valorização do indivíduo enquanto um sujeito capaz de atuar e modificar a ordem estabelecida. Para tanto, faz-se mister levar a escola para além dos seus muros, utilizar o próprio sistema educacional, sua infra-estrutura, seus recursos na viabilização da sua própria mudança.
Isso implica em ressignificar o conhecimento, rediscutindo o currículo de maneira constante, tornando-o um elemento de superação e inclusão. A flexibilidade do currículo permite questionamentos e mudanças. Para tanto há de assumir cada educador, cada comunidade, o compromisso de conhecê-lo, conhecer os processos sócio-políticos que o determinam, identificar as conseqüências de um ensino com base neste programa curricular e apontar elementos norteadores da mudança do sistema educacional e conseqüentemente, da sociedade.
Alguns pensadores em educação como Padilha, apontam um currículo intertranscultural, que tem como eixos principais a reflexão permanentemente crítica sobre a relação com o Estado, a educação escolar e a democracia, bem como a reflexão sobre a própria práxis pedagógica, a continuidade de projetos e a construção coletiva do projeto político-pedagógico, tendo como norte e meta a transformação necessária e desejada por todos os envolvidos nesse processo. A prática deste currículo intertranscultural tem como base metodológica o encontro dialógico entre escola e comunidade; a ampliação e valorização dos conhecimentos do aluno; a provocação da reflexão crítica e enfrentamento dos problemas.
Pautadas na concepção histórico-crítica disseminada por Paulo Freire, a Escola Plural (Belo Horizonte) e a Escola Kanamari (Amazonas) são exemplos de uma educação voltada para as necessidades da comunidade à qual pertencem. O compromisso com a transformação de uma sociedade desigual para um sociedade mais justa, conduzem essas duas escolas à reformulação do currículo institucionalizado pelo governo, de maneira coletiva e democrática. O exercício da democracia se faz presente em todas as instâncias, desde a construção do currículo, até o projeto político-pedagógico e os planos de aula. O primeiro exemplo é curiosamente organizado pelos órgãos municipais que teoricamente defendem uma relação horizontal. O segundo tem como norte básico, o ensino da língua portuguesa, segundo as concepções freirianas de palavras geradoras, para a resolução dos problemas enfrentados junto à macro-sociedade.
O próprio estado da Bahia traz exemplos de reformulação educativa, como os Quilombos Educacionais, as escolas comunitárias, as associações educativas, dentre outros. Um exemplo próximo à nossa realidade é o Pré-Vestibular do Quilombo do Orobu, localizado no bairro de Cajazeiras, em Salvador. Através das aulas intertransdisciplinares, tem como objetivo maior a inserção do povo negro e de baixa renda na universidade, bem como a sua inclusão social. Sua metodologia, pautada na pedagogia do desvelamento promove encontros de Cidadania e Consciência Negra (CCN), Curso de História da África, dentre outras iniciativas.
Repensar e refazer o currículo é uma prática necessária e constante em todos os momentos históricos. Foi necessário no nosso passado, é neste momento presente e continuará sendo, pois esta é uma forma possível, real de manter viva a esperança, a luta, a coragem, a solidariedade e a construção de um mundo melhor.







Dia das Mães

Queridas companheiras.
O dia das mães é uma destas datas inesquecíveis e muito especiais.
Sempre me emociono muito. Ainda mais agora que sou mãe, a emoção é dobrada.
Penso em minha mãe e todas as mães que conheço e conheci e lembro do seu sacrifício e da sua abnegação pela tarefa divina de educar os filhos.
Para as comemorações na escola, sugiro inicialmente, que começem a trabalhar os sentimentos e valores que envolvem a relação mãe e filho.
Assim:
Para as crianças pequenas:

Sonhos da mamãe:
painel com a figura de uma mãe e nuvenzinhas onde as crianças irão desenhar os sonhos da mamãe. Sempre lembrando o que a mamãe deseja para o seu filhinho.

Assim é minha mãe:
Painel com pinturas e gravuras feitas pelas crianças,  sobre as mães deles.

Presente para a mamãe: Imagens feitas pelas crianças ou recortadas de revistas. Trabalho coletivo ou individual.

É importante também, ter muito cuidado para não ferir a sussetibilidade das crianças que não têm mãe ou estão longe de suas mães. Nesses casos, sugiro levantar as questões da família, fazer desse dia, o dia da família, onde se possa homenagear todos aqueles que representam amor, carinho e proteção para as crianças.

Quanto às apresentações, sugiro:
Gravação de um CD e/ou um DVD com as crianças cantando e recitando poesias para as mães.
Tambem vale nesta gravação,  a representação teatral.
No dia da homenagem, as mães assistem o DVD com os filhos.

Para presentear, sugiro que seja de acordo com os costumes de cada região. Assim, no litoral, bolsa de praia, por exemplo. Também há aqueles presentes que caem bem em qualquer situação, como os potes encontrados no site de jacirinha (clic no link ao lado). 
Os cartões são ótimos, pois podem ser feitos por todas as crianças, de qualquer idade.
É importante que as professoras das crianças de Educação Infantil perguntem às crianças os nomes dos desenhos feitos por elas e escrevam ao lado.

Ainda sugiro uma caminhada para a paz, onde as mães levantarão bandeiras à paz à união familiar e à preservação do meio ambiente. Após a caminhada, um refrescante lanche, com brindes e despedida.

Outra sugestão é fazer jogos internos com as mães. Ou com mamãe e filhos juntos.
Assim que puder detalharei melhor algumas sugestões.
Espero que possam auxiliar no trabalho de vocês.
Muita Paz!

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Datas Comemorativas - Dia do Índio e Abolição

As datas comemorativas tradicionais no rol de comemorações, como Dia do Índio, dentre outras, devem ser trabalhadas com bastante antecedência.
É necessário que o professor não se limite à atividade de um dia, como enfeitar as crianças com tangas e pinturas. Vamos repensar sobre o contexto dessas datas. Será que o índio de hoje é o mesmo cantado nas músicas? Continuaremos entoando canções que retratem o Mito do Bom Selvagem? Que tal refletir sobre a realidade de hoje, relacionando presente e passado e depois retornando ao presente e pensando no futuro, mediando um olhar sobre aquilo que é. Não digo só das coisas tristes, como fome, terras tomadas, mas uma visão daquilo que é bonito, possibilitando a percepção de uma estética e de uma ética dentre aqueles que são tão marginalizados até hoje. O Dia do índio é uma dessas datas de se repensar o papel do professor e do ensino de História.
A Abolição é outra oportunidade de reconstrução das idéias. É preciso rever os preconceitos que historicamente fazem parte do processo de ensino-aprendizagem, para a construção de um olhar mais humano, menos estigmatizado e menos estereotipado. A Beleza é fundamental e ela está em tudo. Vamos convidar as nossas crianças a enxergar a beleza que há em todas as pessoas de matizes e culturas diversas, desde a mais tenra idade, para que quando adultas se tornem agentes construtores de uma sociedade bem melhor.

Breve Reflexão Sobre a Educação Brasileira

A educação no Brasil passou por várias mudanças, desde o ensino dos jesuítas até os dias atuais. Contudo, o ensino tradicional, excludente, tecnicista, por um lado e, do outro, redentor ainda se configura como bases da prática pedagógica na maioria das instituições escolares.

A relação ensino-aprendizagem está alicerçada em diversas correntes filosóficas, psicológicas e pedagógicas que emergem das mudanças sócio-políticas e culturais ocorridas a cada momento histórico. Assim, para compreender o percurso da Educação no Brasil, é preciso entendê-la como um processo político, econômico, histórico e cultural; que existe dentro de um contexto que determina suas características. Pensando no período colonial, as primeiras instituições de ensino tinham como objetivo educar e catequizar os colonos, segundo as normas do catolicismo e os interesses político-econômicos da coroa portuguesa. Os estudantes eram vistos como seres ignorantes que precisavam absorver o saber superior e total dos seus professores. Quantas escolas e quantos professores ainda hoje se colocam como detentores do saber, promovendo um abismo entre professor e aluno, como aquele que somente ensina e aquele que somente aprende? Inúmeras.

A disciplina, o rigor científico, o método da experimentação empirista, o inatismo, a hierarquia ainda perduram no interior das escolas, convivendo com uma falsa democracia, com um engodo cultural chamado de respeito às diferenças e autonomia. Digo engodo, porque se estabelece a cultura do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”; porque embora os PCN’s, os cursos de capacitação e a própria universidade ensinem o professor e o pedagogo a conhecer os alunos e promover o conhecimento de forma relativizadora, eliminando os preconceitos, descortinando o véu dos estereótipos, para que cada aluno perceba a si mesmo e ao outro como um ser bonito, capaz e repleto de habilidades; e, embora o professor discurse sobre a democracia, levantando a bandeira do ensinar a aprender, na prática o que se percebe é uma sala de aula de quinhentos anos. Alunos devidamente dentro de uma forma, livros como manuais, quadro, giz, data show como fontes únicas de aprendizado. A postura de professores que só ensinam e alunos que só aprendem.

Há nesse contexto, um paradoxo, a educação brasileira é “um paradoxo estendido na areia”. É um aparelho ideológico dos mais poderosos e, por isso, a conscientização e mudança ainda é lenta. Mas ainda que em passos vagarosos, a mudança ocorre. Porque a sociedade é outra, as necessidades são outras e as crianças e adolescentes, cada vez mais inteligentes exigem outra escola, outra postura, outro professor. Se todos os educadores conseguissem acompanhar as mudanças do seu tempo, estando até mesmo à frente dele, com certeza o nível da educação no Brasil seria outro, bem superior.

É bom lembrar que a nossa política educacional não é feita só de espinhos. Conquistamos avanços importantes! O aluno, hoje, é mais ouvido, os livros didáticos têm uma qualidade bem superior e as escolas estão mais contextualizadas com a realidade dos seus alunos, trabalhando temas que antes nem se pensava, como a identidade, o trabalho, a cultura e a arte. Penso que a Revolução de 64 foi responsável por este estacionamento da escola e até mesmo retrocesso do pensamento educativo. Graças às transgressões, às lutas e à crença na utopia disseminadas por pessoas como Paulo Freire, não estamos piores do que poderíamos está. Temos avanços, é certo, mas temos ainda muito que fazer, sabendo que pensar sobre educação e mudança é algo contínuo e permanente, com a certeza de como dizia Carlos Drummond de Andrade, nunca ficará pronta uma edição convincente.

sábado, 12 de abril de 2008

Professoras Pescadoras: um encontro inesquecível!

Queridos amigos, os comentários sobre um blog tão simples, porém não despretensioso como esse chegaram rápido. Com tão poucas postagens, já recebi mensagens calorosas e incentivadoras. A todos, a minha gratidão. Foi esse feedback e o encontro com professoras iniciantes nesta carreira maravilhosa que me trouxeram novo ânimo para continuar postando as nossas idéias. Então, boa leitura e bom trabalho!
Há muito tempo não visitava Ilha de Maré, um lugar de boas lembranças. Mas da Ilha, só conhecia a parte turística, aquela em que tudo é belo e convida à despreocupação e comunhão com Deus. Contudo a Ilha de Maré que conheci no início deste mês foi a que despertou alegria, coragem e uma sensação de estar em casa.
Refiro-me à comunidade de Bananeiras, um local que se destaca pela simplicidade, beleza e alegria. As ruas estreitas feitas de areia, barro e cascalho de conchas conduzem ao que há de mais bonito: as pessoas. Entre elas, digo em especial das professoras e mães de uma creche-escola que fui visitar. Mulheres fortes, bonitas, vaidosas e muito sensíveis, com o conceito de educação que muitos levam anos para conquistar.
A creche é um espaço pequeno e bem estruturado; acolhedor. Para alcançá-lo subimos uma pequena colina e de lá de cima, da varanda, uma vista que limpa qualquer olhar cansado. Cada parede do local foi erguida pela comunidade, e a sua estrutura e funcionamento são geridos por um grupo da própria comunidade.
As professoras, verdadeiras “pescadoras de saberes e idéias”, prestam um serviço inestimável de auxílio às famílias. Educam não só as crianças, mas mães, pais e demais familiares, gerando uma rede de conscientização social, onde todos lutam juntos para a conquista de uma cidadania plena.
Através de uma metodologia riquíssima e vivencial, as crianças aprendem os cuidados com o meio ambiente, atitudes saudáves, conceitos de família, solidariedade e amizade, enquanto aprendem a ler, escrever e realizar operações matemáticas. Um conceito de educação freiriano, progressista, libertário-social. Talvez alguma delas só tenha ouvido falar ou estudado estas concepções recentemente, mas a compreensão da educação como um ato político já está internalizada nelas há muito tempo.
Enquanto elas me contavam do seu trabalho e relatavam casos em busca de ajuda, eu pensava: - Há quanto tempo não vejo professoras tão entusiasmadas e engajadas! Um entusiasmo com cheiro de maré grande e mato molhado; uma emoção de quem sabe o quanto é sério e gratificante educar e uma curiosidade de quem sabe que é preciso conhecer para ensinar a conhecer.
Após algumas horas de encontro e o privilégio de saborear uma deliciosa moqueca, retornei com o coração cheio de esperança; com vontade de viver mais para encontrar mais educadoras que honram o título assumido. Em meio à chuva miúda que salpicava o barco, assistimos ao espetáculo do entardecer eu, minha filha Clarice (6 aninhos) e uma das professoras – pescadoras de esperança e alegria de viver.
A todos da Ilha de Maré, aos movimentos e associações da Ilha e ao Conselho Pastoral da Pesca, a minha gratidão eterna. Contem comigo!

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